Fernanda Yamamoto

O desfile apresentou uma coleção trabalhada em upclying – reaproveitamento de tecidos, e lindíssima. São looks que misturam texturas com uma construção- desconstrução da alfaiataria. O styling de Paulo Martinez e o beauty de Marcos Costa garantiram a ênfase nas peças, no entanto, proporcionaram a coesão das imagens de moda.

2016_7fernanda01 2016_7fernanda03 2016_7fernanda03

Por Mariana Rachel Roncoletta

Fotos: Agência Fotosite

09osklen edicao2

A beleza da lã orgânica

O styling de Pedro Salles mora nos detalhes. Explico: a coleção é composta de praticamente dois tons, isto é, nuances de cinza mescla e preto. Destacam-se as diversas texturas, como a do moletom tricotado ou nervurado e do tricô resinado que exigem uma edição de looks selecionada pelos materiais, como a lã orgânica. Tais matérias são sustentáveis e afirmam a posição ecossocial da Osklen.
A reconstrução da modelagem hoodie (moletom com capuz) mescla os looks masculinos e femininos nas amplas proporções durante todo o show.Grandes óculos em todos os modelos sugerem didaticamente uma certa atitude intelectual, meio nerd descolado. A marca propõe, através dos personagens da passarela, um humanista que reflete sobre as questões necessárias para reinventar o mundo.

Mariana Rachel Roncoletta
blog.anhembi.br

publicado originalmente em 20/01/2009

Fashion TV Mariana Rachel Roncoletta

Stylist, produtor ou editor de moda?

Durante uma semana de moda, como o SPFW, não são apenas os designers e suas criações ou as modelos que ganham destaque. Atrás de cada desfile há um time de profissionais trabalhando intensamente para que os lançamentos encantem os compradores, o público e a mídia.

Os stylists são alguns destes especialistas. O termo chegou ao Brasil na década de 1990 para designar os já experientes produtores de moda. Devido à dinâmica do setor, esta função cresceu em importância e ganhou novas feições. No entanto, de lá para cá, vivemos uma confusão de terminologias e funções.

O stylist é um criador de imagens de moda: pessoais, fotográficas ou em movimento. Em desfiles, como os do SPFW, ele interpreta tendências e as afina com a assinatura da marca, utilizando diversos recursos: o casting de modelos, a trilha sonora, a edição de looks, a coreografia e a ambientação cenográfica. O trabalho é em equipe, sempre!

Ah! O resultado desta criação é o que se chama de styling.

Já os produtores de moda são conhecidos como “sacoleiros fashion”, por carregarem, literalmente, sacolas e mais sacolas de roupas. São eles que descolam aquelas peças que o stylist tanto precisa para montar o look perfeito. Sem este trabalho, o conceito da coleção ou do editorial se desfaz.

E os editores? São profissionais altamente especializados, assim como os stylists. Precisam ter um repertório que permeia o design, as artes, a música, conhecimento técnico em fotografia e efeitos visuais. Devem saber identificar tendências comportamentais e de moda, conhecer o mundo das celebridades, localizar novos talentos, buscar o inusitado, e ainda, desenvolver imagens surpreendentes. São anos de treinamento, pesquisa e estudo.

Então, caro leitor, o stylist e o editor de moda possuem a mesma função prática?

Sim, porém, o editor, além de ser um termo mais utilizado no mercado impresso do que nas mídias digitais e nos desfiles, sugere que, ele é o responsável somente pela edição dos looks de moda. Já o termo stylist nos induz a interpretar sobre uma maior abrangência, e por isso, o adotamos.

 

Mariana Rachel Roncoletta
blog.anhembi.br
publicado originalmente em 26/01/2009.

Referência: RONCOLETTA, Mariana Rachel e BARROS, Yara. “O poder do styling nos desfiles do SPFW”. TCC de Pós-Graduação em Jornalismo de Moda – UAM, 2007.
Créditos da Imagem: Fashion TV Brasil com Barbara Thomaz. Foto: Vladi. Styling: Mariana Rachel Roncoletta. Produção: Denise Matsuzaki. Beauty: Vanessa Rozan by MAC.