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Picadeiro fashion

Maria Bonita armou uma tenda circense estilizada para apresentar o inverno 2009 na SPFW. Neste elegante picadeiro, ela pretende trabalhar formas circenses e o faz com absoluta elegância. Nesta temporada, as formas clássicas da alfaiataria surgem renovadas. Danielle Jensen percorre o guarda-roupa masculino de onde resgata os tecidos tradicionais, renovados por novas tecnologias. Entre eles estão flanelas de lã e gabardines, apropriados para um inverno cada vez mais leve. As malhas são confortáveis, nas formas e texturas. Assim são os cardigans e os maxipulls que se transformam em vestidos.

A coleção dá um salto e pula do trapézio do tricô tradicional para o da vanguarda, em que transitam as malhas vazadas, que aparecem com tops, leggings ou mesmo como calças de alfaiataria.

O toque clássico continua presente, mas atualizado pelo desejo de desconstruir as peças, deslocar elementos e construir novas propostas. Assim acontece com a calça que, na verdade, é um macacão tomara-que-caia; com a calça-camisa e ainda com a camisa-vestido. Lapelas se deslocam e palas são estrategicamente colocadas num inteligente jogo de modelagem. Este, aliás, é um ponto fortíssimo da marca. Danielle Jensen, em verdadeiras jogadas de mestre, consegue transformar todo o modelo trabalhando volume em um só ponto da peça.

A designer investe em formas geométricas na linha de blazers – que apresentam um certo perfume de anos 80 – e vestidos em forma de trapézio. O patchwork de Maria Bonita segue uma proposta cubista, mas as cores são sóbrias, assim como em toda a coleção. Prevalecem as variações de cinzas (do mais claro ao grafite), beges e marrons, com pitadas de vinho e rosê.

A nova coleção é, sem dúvida, para mulheres elegantes mas, principalmente, para as altas e esguias.

Moda Brasil + Design aposta nos tricôs e no macacão tomara-que-caia

Eleni Kronka e Mariana Rachel Roncoletta
Fotos: Rahel Patrasso
blog.anhembi.br

publicado originalmente em 20/01/2009

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O que Haten e Fraga têm em comum?

Terminamos a enlouquecida semana de moda do SPFW, entre os desfiles apresentados selecionamos 2 que mais nos emocionaram pelo viés do styling. Explicarei: Sabe aquela apresentação que te faz cair da cadeira? Ou quando você, caro espectador, tem que levantar do confortável sofá da sala (parafraseando Rosane Preciosa) para conseguir respirar e dizer UUUAAAU, o que foi isso?! Quando seu corpo inteiro está arrepiado, um nó seco atravessa sua garganta e ainda seus olhos estão mareados de tanto encantamento.Então, são destes espetáculos que falo. Com lágrimas rolando pelo meu rosto (apesar de quase 20 anos de profissão, achando que poucas coisas ainda poderiam me surpreender tão intensamente) tenho muito orgulho de emocionada apresentá-los: FH e Ronaldo Fraga.

Rupturas de FH
Foi o primeiro desfile da temporada de inverno 2009. A marca FH do designer Fause Haten, tinha a trilha-sonora ao vivo executado pela Orquestra Sinfônica de Heliópolis que já me arrepiou.

A coleção foi dividida claramente pelo stylist Paulo Martinez em 3 momentos: Amores Sofridos, Turbulentos e Calmos relataram o ressurgimento do designer. Da passarela simples, toda forrada de preto, apenas com o logo FH em dourado, adentrou a primeira modelo num look composto de materiais sedutores como a seda e o cetim, em tons de vinho, roxo e com aplicações de dourado. Apesar do amor ser sofrido, ele nos foi muito sedutor e necessário para das cinzas, como uma Fênix, se reerguer.

Na seqüência, os tons escuros de marrom e marinho e as proporções mais justas ao corpo predominaram o primeiro momento do desfile. Alguns looks são pontuados por golas rufo violeta e vermelho que poeticamente pesadas sugerem o sufoco da própria história do designer.

Túnicas volumosas sobrevoaram em harmonia à passarela look a look no bloco turbulentos. O vermelho sangue predomina o catwalk nos deixando em estado de alerta. Chega de sofrimento e turbulências, pedimos angustiados!

É a vez do alívio e bruscamente o vermelho inquietante é substituído por flores em tons pasteis aplicadas no maiô. São os amores calmos, terceiro momento do desfile que segundo Paulo foram propostos um a um, em sua singularidade. Não existe mais uma passagem entre um look e outro, mas sim, uma quebra de proporções e rítmos. Cada modelo veste uma silhueta. “São nossas noivas”, comenta o stylist e assim pronto para traçar outro caminho Fause Haten se despede da passarela entre rosas vermelhas.

O tempo poético de Ronaldo Fraga
Neste desfile encantador sentei ao lado de Cris Mesquita, coordenadora do curso de Pós-Graduação em Styling de Moda do SENAC e foi minha orientadora na Pós de Jornalismo de Moda da Anhembi Morumbi quando abordamos … adivinhem o assunto, caros leitores: O poder do styling. O que este fato tem a ver com o impacto do desfile?

Muito!
1º) Não ficamos imunes ao que acontece ao nosso redor enquanto o desfile rola. A leitura atenta do reelese me informou, os comentários antes e durante o espetáculo com a Cris influenciou, a cenografia já me envolveu e a trilha-sonora já me acolheu.

2º) O backstage (bastidores) também já me alimentou de informações. Conversamos com o beauty-artist, vimos o casting, falamos com os modelos. O Moda Brasil + Design também entrevistou Ronaldo antes do show e ao ser questionado sobre tendências de moda, ele acredita que o caminho é a humanização e eu concordo totalmente. Falou que vê e acompanha tendências de moda para realizar um trabalho que possa ser adquirido mundo afora. Reforçou o consumo consciente, aspectos eco-sutentáveis, questões sociais e ainda perguntou aos jornalistas que lhe cercavam: quais são os nossos reais valores como seres humanos?

Já influenciada por todos estes aspectos e n mais, vamos ao desfile:

A poética de Ronaldo Fraga não é linear, não consigo dividir o styling do desfile em blocos ou camadas didáticas, assim como seu processo de criação que propõe diversos cruzamentos conceituais é a apresentação do espetáculo, composta: pela discussão entre o bonito e o feio, pelo questionamento dos nossos reais valores, pela sensação de abandono e desamparo, pela peça teatral “Tudo é risco de giz” de Álvaro Apocalypse.

Neste espetáculo, as diversas texturas se entrelaçam sem hierarquia: a pele da criança encontra com a pele envelhecida; as lãs com as sedas; as rígidas bolsas-lousa com as estruturas orgânicas dos vestidos, o risco com o rabisco.

As crianças que entram pulando e às vezes intimidadas tiram sorrisos suaves da platéia, enquanto os senhores e senhoras arrancam aplausos enlouquecidos. Cris e eu comentamos: alguns jornalistas vão se irritar com tantos aplausos. Público e personagens de Fraga já respiram juntos encantados quando…

Da trilha-sonora suave e lúdica, surge a doce criança Michael Jackson em seus tempos de Jackson Five cantando Happy. “É o jovem mais velho…” Cris, sussurra ao meu ouvido. Recordo da entrevista com Ronaldo, mais precisamente da pergunta sobre nossos valores, e um turbilhão de questões sócio-culturais sobrevoam minha cabeça…sou atravessada pelo styling; não consigo mais segurar minha tensão, as lágrimas rolam para chão.

O desfile continua, e docemente o piano e ruídos das portas que se abrem nos envolvem, ouvimos o poema: rato que eu não sou assim de fino trato… Ao termino nos perguntamos o que nos faz bem, felizes? Quantas e quais portas a moda de Ronaldo nos abre. Quais contratos queremos selar para nossas vidas?

Assim peço a eles e suas equipes que continuem maravilhosos…

O público formado por jornalistas (às vezes blasé), representantes da marca e apenas alguns amigos (o evento é um espaço de trabalho, relembro, muito trabalho) não resistiu as histórias destes grandes criadores, e aos prantos fomos dar-lhes os parabéns nos bastidores.

Aos criadores: Felicidades, e mais uma vez, Obrigada por dividirem corajosamente suas emoções conosco, nos atravessar e esburacar nossas almas.

Aos leitores: Muito Obrigada!

Mariana Rachel Roncoletta
blog.anhembi.br

publicado originalmente em 26/01/2009.

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Ao som de Maria Garcia

O desfile de Maria Garcia por Camila Cutolo foi divertido e leve, para jovens tímidas. Inspirado no som do Smiths e Morrisey, sem pretensões estéticas entre Oscar Wilde e James Dean.

As cores eram crú, preto, tons de cinza, pontuadas pore rosê, laranja intrigante, verde escuro e azul brilhante. A edição dos looks contrastava com a textura dos tecidos: renda e tricot; couro fake e pêlo; lã com seda. Destaque para a renda sobreposta às camisetas, de uma maneira despojada.

Nos acessórios, os cordões de lã fazem as vezes dos colares de pérolas.

Moda Brasil + Design aposta… Na nova maneira de usar as tradicionais rendas.

Mariana Rachel Roncoletta e Tauane Modes
blog.anhembi.br

Publicado originalmente em 20/01/2009