Strange, we back

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Organizando arquivos, me deparei com os vídeos interessantes para retomar este blog: Libertango de Grace Jones e o vídeo que fiz há muitos anos do meu caminhar, ou melhor, da minha marcha – na realidade, o meu mancar, são os ideais.

O pequeno filme realizado há muitos anos quando pretendia abordar a moda pelo viés da imagem inclusiva. Este estudo, iniciava-se com uma análise da marcha do meu próprio corpo desajeitado, mancando

Em Strange, Grace fala de estranhezas, eu amo as maravilhosas estranhezas da vida e o clipe é lindo. Ela dança com um busto incrível, rodopia, assim como a vida que gira em círculos… Não acredito! Talvez em espirais.

…. Acredito no futuro, sou positivista, neste sentido, rodopiamos para frente, seria possível (!), em espirais, aprendemos com nossos erros, com certeza não com nossos acertos, nos fortalecemos, tropicamos pelo mundo… Do que estou falando? Ah! Da minha própria experiência, depois de um tempo deste blog desativado, voltarei a opinar, de ter tempo de escrever sobre o caminhar, que no meu caso, literalmente, é um mancar pelo mundo, pela moda, pelo design, pela humanidade, pelo empreendedorismo, pelo negócios, pela inovação, pela opinião… pelas estranhezas da vida que te fazem feliz

Por Mariana Rachel Roncoletta,

De São Paulo

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Check-list de calçados – altura de bico

A altura do bico (elevação da biqueira) deve ser de aproximadamente 1 cm do chão. Essa detalhe que pouquíssimas pessoas olham pode lhe provocar muita dor nos pés e inclusive na coluna.

Não vá se fantasiar por ai, usando calçados do Aladim!

Mariana Rachel Roncoletta

Fonte: Roncoletta (2009) adaptado do site SBRT (s/d)

Publicado originalmente em 03/06/2009.

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Check-list de calçados: modelos de bico

Este é o quinto post da série Check-list de calçados, agora vamos falar de modelos de bicos. São o formato que possuem o sapato bico, também conhecido como biqueira do design de calçados. Existe uma variável imensa, falarei das básicas, até, porque, as demais variam destas: redonda, quadrada e fina.

Procure por bicos quadrados ou redondos, certifique-se que os mesmos continuaram arredondados durante a marcha, isto é, quando você estiver caminhando, na parte do passo que seus dedos carregam o peso do corpo, os sapatos devem continuar com o bico arredondado – eles jamais podem comprimir seus dedos.

Faça o seguinte teste: Vista o sapato e olhe de frente para um espelho, de o passo e observe se o sapato afunila quando você está com o peso do corpo nos dedos. Se isso acontecer, o formato novo é um V. Ah…ficou na duvida, tire a prova de fogo:

Pegue o sapato em suas mãos e olhe de frente para o espelho. Simule a mesma passada e observe atentamente, se o sapato não mantém o formato do bico, você verá que sua forma original se modificou. Deixe-o na loja.

Agora, se você ama bicos finos, não tenha medo de exagerar. Invista nos super bicudos!

 

Mariana Rachel Roncoletta

Publicado originalmente em 03/06/2009.

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Check-list de calçados – encaixe

Varias pessoas não conseguem distinguir se o calçado está apertado ou não. Existe espaço suficiente para os seus dedos quando você caminha? A sensação ideal é sentir uma leve pressão na lateral nos dedos dos pés. O calçado firme é aquele que não aperta os dedos e, simultaneamente, não deixa espaço entre o calcanhar e o cabedal traseiro quando você se impulsiona pelo triângulo de propulsão dos pés – parte da planta dos pés que suportam os dedos, conforme central.

Outra dica é escolher por estilos de calçados que possuem diferentes tiras de ajustes no tornozelo e até mesmo no cabedal frontal, ou seja, no peito do pé, podem auxiliar na sensação de segurança relacionada ao design de calçados.

A última dica sobre encaixe é a aquisição de calçados por você apenas após algumas horas desperto e depois de leves caminhadas, visto que o corpo e, principalmente os pés, já terão inchado.

Mariana Rachel Roncoletta

Publicado originalmente em 30/05/2009.

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Check-list: adoráveis modelos de salto

Evite saltos finos, tipo stiletto, mas, se assim o desejar, verifique se ele dá equilíbrio ao seu corpo. O salto fino baixo também desequilibra: ande um pouco e verifique se você não vira o pé.

Prefira saltos grossos, costumam ser mais estáveis, afinal, a área de contato com o chão é maior do que a de um salto fino.

Ao escolher anabelas, verifique se ela permite que você faça o movimento natural do caminhar.

Plataformas, normalmente, impedem o caminhar natural e ainda podem fazer com que você torça facilmente os pés.

Enfim, quem sou eu para dizer qual modelo de salto você deve usar? Use-o os quais te agradam mais, você é livre para fazer suas próprias escolhas. Sinto que, devo alertá-la sobre os modelos de salto, para que quando você escolher usá-los, pense e use-os com cautela, ok!

 

Até o próximo post

Mariana Rachel Roncoletta

Ilustração: Regina Barbosa

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Check-list de calçados: equilíbrio

Sabe aquela sensação de torcer o pé? Então, o equilíbrio é fundamental para se sentir segura ao usar qualquer estilo de calçados. Essa percepção relaciona-se a dois critérios: preenchimento da sola do salto ao chão e prolongamento do eixo de equilíbrio do corpo

1. Preenchimento da sola do salto ao chão:

Os saltos devem encostar totalmente no chão – independentemente da altura do salto, a imagem mostra um scarpin já adaptado para pessoas com dismetria de membros inferiores.

2. Prolongamento do eixo de equilíbrio do corpo:

O eixo de equilíbrio do corpo entre quadril, joelho e tornozelo deve se prolongar pelo sapato. Se o salto encosta parcialmente, provavelmente alterará o eixo natural do seu corpo, desequilibrando você, provocando a sensação que seus pés viram ou para dentro ou para fora.

Mariana Rachel Roncoletta

Publicado originalmente em 30/05/2009.

 

jacobs

Check-list de calçados: altura

Os saltos, principalmente os altos (mais de 6 cm), são para maioria das mulheres (e homens) um objeto que proporciona sedução e poder. A maioria das imagens, seja em filmes de Hollywood ou novelas brasileiras ou ainda em editoriais de moda mostram as mulheres “glamourosas” se equilibrando nas alturas do salto alto, alto não, altíssimo. Temos que assumir nossa parcela de culpa em impulsionar o desejo das mulheres por saltos.

O que quero dizer é: podemos sim, ser poderosas e glamourosas sem o salto altíssimo. Será que você não se contentaria com um salto de 4 cm ? Esta altura já não lhe é suficiente? Questione as imposições da industria cultural, ok!!!!

Dito isto, farei vários posts sobre as considerações para adquirir calçados com saltos: altura, equilíbrio, modelo.

Altura de salto – o ideal é 2 cm, porque equilibra as pressões entre dedos e calcanhar, isso significa que as lindas rasterinhas podem causar dor nas costas

Para o dia todo de 2 a 4 cm, mantém as pressões sobre os pés mais equilibradas, existe uma tabela, que pode lhe auxiliar, principalmente em escolher calçados para o uso em ocasiões especiais.

Sem salto = 43% dedos e 57% calcanhar

Salto 2 cm = 50% dedos e 50% calcanhar

Salto 4 cm = 57% dedos e 43% calcanhar

Salto 6 cm = 75% dedos e 25% calcanhar

Salto 10 cm =  90 a 100% dedos e 0 a 10 % calcanhar

Saltos maiores que 4 cm são recomendados apenas em ocasiões especiais.

 

Mariana Rachel Roncoletta

Foto: Coleção Marc Jacobs, 2008

Publicado originalmente em 22/05/2009.

torta vermelha

Fisioterapia Frutas Vermelhas

A partir de hoje, publicarei uma série de cartas que escrevi nos últimos anos para pessoas que usavam o Ilizarov (é um método russo utilizado em fraturas ósseas que também serve para prolongar pernas e braços).

Será que alguém se lembra do aparelho metálico do filme Gattaca? Ou das mulheres asiáticas que precisavam (?!) ser mais altas para conseguir um trabalho melhor (a matéria saiu na revista Veja, já há algum tempo).

Então, usei o tal aparelho em 2 etapas.
O primeiro é dedicado as atividades físicas: são quase 10 anos de atividades, entre idas e vindas, claro. Tais como: fisioterapia, RPG, pilates, natação e etc…

Os exercícios são fundamentais, talvez seja necessário tirar algumas horas do dia para cuidar de você e de seu corpo. Sendo direta: Quem usa, ou usou o Ilizarov, precisa de no mínimo 2 cirurgias: 1 para colocar o aparelho e outra para tirar, certo? Você acha que seu corpo se recuperaria assim em poucos minutos?

Nosso problema não é simples como um Creme de Papaia, somos complexos como uma deliciosa Torta de Frutas Vermelhas, preparada com todo carinho.

Imagino nosso corpo como uma massa folhada, trabalhada camada a camada, com muito cuidado: pressione a massa, deixe descansar. Atingi a primeira fase, depois novamente: amasse, estique, puxe obtenho a segunda camada… São inúmeras camadas.
Vamos para o próximo passo: o recheio.

Ah…as deliciosas frutas: amoras, morangos e maças, escolhidas a dedo, lavadas, picadas delicadamente, caramelizadas na calda com um toque de canela e gengibre. Esse recheio também precisa de tempo, cuidado, atenção e principalmente dedicação.

Agora, a montagem da torta: a massa esticada na forma, elástica recebe a deliciosa e ainda morna calda de frutas, cobre-se com uma fina camada, risca-se e ao forno ela vai por algum tempo.

Ainda quente, servimos com uma bola de sorvete de creme… Aí, meus amigos, é só degustar, deu trabalho, levou tempo, mas é extremamente prazeroso. É gratificante saber que você chegou lá.

Bem, nossa fisio é assim, cheia de etapas, muita dedicação e paciência. Falo de anos para que a torta (ou nossos corpos) estejam prontos, e ainda se pensarmos que uma receita pode ser aprimorada: lembram do pilates e do RPG?

UAL… haja dedicação, não?

Então: Não somos Creme de Papaia, e eu amo Creme de Papaia. Para nós, não dá para juntar 2 coisas bater no liquidificador que fica delicioso, nosso processo é outro: nossos corpos são mais complexos, únicos, dependemos da colheita, da mãos que amassam a massa, e por isso somos a inigualável e irresistível:

Torta de Frutas vermelhas com sorvete de creme

Por Mariana Rachel Roncoletta

Publicado originalmente em 15 de maio de 2009.

evans mcqueen

Mullins, a colecionadora de pernas

Para quem não me conhece, sou apaixonada por moda – atuo intensamente na área de imprensa há quase 20 anos. Afastei-me um pouco devido a duas grandes cirurgias, uma em 2000 e outra em 2005, neste ínterim, como precisava me acalmar resolvi aprofundar meus estudos, e assim voltei à universidade.
Hoje, transito entre as áreas acadêmica e de mercado, este espaço é um ponto de encontro entre elas: a pesquisa sobre moda inclusiva e o espetáculo da moda, entre desfiles espetaculares e pessoas excepcionais.
Começo com uma entrevista que vi recentemente: a de Aimee Mullins, atleta para-olímpica, que foi capa das revistas inglesas I-D e Dazed & Confused no final dos anos 90. Ela atualmente possui uma coleção de mais de 10 pernas (próteses).
No vídeo, que você deve ver pelo link: (http://www.ted.com/index.php/talks/aimee_mullins_prosthetic_aesthetics.html) ela fala da sua jornada nestes últimos 10-11 anos. Sua experiência com crianças, que são naturalmente curiosas, crianças que sem a presença dos pais gostariam de possuir: “pernas-sapos”ou “pernas-canguru.” Será que a moda não poderia soltar seu lado mais lúdico?
A oportunidade que a atleta teve de fazer parcerias com designers de moda, (Alexander McQueen, por exemplo) e cientistas, de combinar “a ciência com arte, ao fazer pernas”, nas suas palavras, sugere questionamentos que exploram esta interessante conversa entre design, moda e ciência.
Aimee diz: “Pamela Anderson possui mais próteses em seu corpo do que eu, e ninguém a chama de deficiente.” Que padrões de beleza são estes? O que significa ser portador de deficiência?

Mariana Rachel Roncoletta
Fotos: TED e Dazed and Confused
Publicado originalmente em: 15 de maio de 2009.