09david e sommer

Criação de Imagens para o Do Estilista

No bate papo com David Pollak, stylist e amigo de Marcelo Sommer, revelou exclusivamente para o Moda Brasil + Design como desenvolveu o styling para a marca Do Estilista. Ele conta que o processo de criação está em fazer, “e não pensar muito”. Ele explica que o processo flui naturalmente mas, para isso, ”é preciso ter muita intimidade com a marca”.

“Tudo começa cerca de três meses antes do desfile”, conta. Segundo ele, Sommer trouxe idéias e ”coisinhas da Holanda”, como os saquinhos de embalagem. “A partir daí, pensamos nos tecidos, na cartela de cores, silhuetas e nas estampas”. O primeiro passo em direção a criação da imagem da marca para esta estação foi dado.

Depois de um tempo, que depende de cada designer, David retorna para ver o desenvolvimento da coleção. Discutem sobre croquis, silhuetas, algumas peças já estão prontas e juntos pensam na apresentação do desfile. “Em alguns momentos, peço para fazer determinada peça”. Desta maneira, ele já está íntimo do conceito da coleção.

David começa a seleção do casting e a edição dos looks, elementos do styling nos quais ele mais se envolve. “Isto acontece pelo menos um mês antes da apresentação do espetáculo”, conta. A seguir, discutem junto com o DJ a trilha sonora, com o beauty-artist a beleza do desfile e com o cenógrafo a ambientação.

A equipe inteira está afinada com o conceito da marca, e assim cada profissional desenvolve um pedacinho destas imagens que tanto nos atraem.

Mariana Rachel Roncoletta
blog.anhembi.br

publicado originalmente em 18/09/2009.

Fashion TV Mariana Rachel Roncoletta

Stylist, produtor ou editor de moda?

Durante uma semana de moda, como o SPFW, não são apenas os designers e suas criações ou as modelos que ganham destaque. Atrás de cada desfile há um time de profissionais trabalhando intensamente para que os lançamentos encantem os compradores, o público e a mídia.

Os stylists são alguns destes especialistas. O termo chegou ao Brasil na década de 1990 para designar os já experientes produtores de moda. Devido à dinâmica do setor, esta função cresceu em importância e ganhou novas feições. No entanto, de lá para cá, vivemos uma confusão de terminologias e funções.

O stylist é um criador de imagens de moda: pessoais, fotográficas ou em movimento. Em desfiles, como os do SPFW, ele interpreta tendências e as afina com a assinatura da marca, utilizando diversos recursos: o casting de modelos, a trilha sonora, a edição de looks, a coreografia e a ambientação cenográfica. O trabalho é em equipe, sempre!

Ah! O resultado desta criação é o que se chama de styling.

Já os produtores de moda são conhecidos como “sacoleiros fashion”, por carregarem, literalmente, sacolas e mais sacolas de roupas. São eles que descolam aquelas peças que o stylist tanto precisa para montar o look perfeito. Sem este trabalho, o conceito da coleção ou do editorial se desfaz.

E os editores? São profissionais altamente especializados, assim como os stylists. Precisam ter um repertório que permeia o design, as artes, a música, conhecimento técnico em fotografia e efeitos visuais. Devem saber identificar tendências comportamentais e de moda, conhecer o mundo das celebridades, localizar novos talentos, buscar o inusitado, e ainda, desenvolver imagens surpreendentes. São anos de treinamento, pesquisa e estudo.

Então, caro leitor, o stylist e o editor de moda possuem a mesma função prática?

Sim, porém, o editor, além de ser um termo mais utilizado no mercado impresso do que nas mídias digitais e nos desfiles, sugere que, ele é o responsável somente pela edição dos looks de moda. Já o termo stylist nos induz a interpretar sobre uma maior abrangência, e por isso, o adotamos.

 

Mariana Rachel Roncoletta
blog.anhembi.br
publicado originalmente em 26/01/2009.

Referência: RONCOLETTA, Mariana Rachel e BARROS, Yara. “O poder do styling nos desfiles do SPFW”. TCC de Pós-Graduação em Jornalismo de Moda – UAM, 2007.
Créditos da Imagem: Fashion TV Brasil com Barbara Thomaz. Foto: Vladi. Styling: Mariana Rachel Roncoletta. Produção: Denise Matsuzaki. Beauty: Vanessa Rozan by MAC.

fause ver09

O que Haten e Fraga têm em comum?

Terminamos a enlouquecida semana de moda do SPFW, entre os desfiles apresentados selecionamos 2 que mais nos emocionaram pelo viés do styling. Explicarei: Sabe aquela apresentação que te faz cair da cadeira? Ou quando você, caro espectador, tem que levantar do confortável sofá da sala (parafraseando Rosane Preciosa) para conseguir respirar e dizer UUUAAAU, o que foi isso?! Quando seu corpo inteiro está arrepiado, um nó seco atravessa sua garganta e ainda seus olhos estão mareados de tanto encantamento.Então, são destes espetáculos que falo. Com lágrimas rolando pelo meu rosto (apesar de quase 20 anos de profissão, achando que poucas coisas ainda poderiam me surpreender tão intensamente) tenho muito orgulho de emocionada apresentá-los: FH e Ronaldo Fraga.

Rupturas de FH
Foi o primeiro desfile da temporada de inverno 2009. A marca FH do designer Fause Haten, tinha a trilha-sonora ao vivo executado pela Orquestra Sinfônica de Heliópolis que já me arrepiou.

A coleção foi dividida claramente pelo stylist Paulo Martinez em 3 momentos: Amores Sofridos, Turbulentos e Calmos relataram o ressurgimento do designer. Da passarela simples, toda forrada de preto, apenas com o logo FH em dourado, adentrou a primeira modelo num look composto de materiais sedutores como a seda e o cetim, em tons de vinho, roxo e com aplicações de dourado. Apesar do amor ser sofrido, ele nos foi muito sedutor e necessário para das cinzas, como uma Fênix, se reerguer.

Na seqüência, os tons escuros de marrom e marinho e as proporções mais justas ao corpo predominaram o primeiro momento do desfile. Alguns looks são pontuados por golas rufo violeta e vermelho que poeticamente pesadas sugerem o sufoco da própria história do designer.

Túnicas volumosas sobrevoaram em harmonia à passarela look a look no bloco turbulentos. O vermelho sangue predomina o catwalk nos deixando em estado de alerta. Chega de sofrimento e turbulências, pedimos angustiados!

É a vez do alívio e bruscamente o vermelho inquietante é substituído por flores em tons pasteis aplicadas no maiô. São os amores calmos, terceiro momento do desfile que segundo Paulo foram propostos um a um, em sua singularidade. Não existe mais uma passagem entre um look e outro, mas sim, uma quebra de proporções e rítmos. Cada modelo veste uma silhueta. “São nossas noivas”, comenta o stylist e assim pronto para traçar outro caminho Fause Haten se despede da passarela entre rosas vermelhas.

O tempo poético de Ronaldo Fraga
Neste desfile encantador sentei ao lado de Cris Mesquita, coordenadora do curso de Pós-Graduação em Styling de Moda do SENAC e foi minha orientadora na Pós de Jornalismo de Moda da Anhembi Morumbi quando abordamos … adivinhem o assunto, caros leitores: O poder do styling. O que este fato tem a ver com o impacto do desfile?

Muito!
1º) Não ficamos imunes ao que acontece ao nosso redor enquanto o desfile rola. A leitura atenta do reelese me informou, os comentários antes e durante o espetáculo com a Cris influenciou, a cenografia já me envolveu e a trilha-sonora já me acolheu.

2º) O backstage (bastidores) também já me alimentou de informações. Conversamos com o beauty-artist, vimos o casting, falamos com os modelos. O Moda Brasil + Design também entrevistou Ronaldo antes do show e ao ser questionado sobre tendências de moda, ele acredita que o caminho é a humanização e eu concordo totalmente. Falou que vê e acompanha tendências de moda para realizar um trabalho que possa ser adquirido mundo afora. Reforçou o consumo consciente, aspectos eco-sutentáveis, questões sociais e ainda perguntou aos jornalistas que lhe cercavam: quais são os nossos reais valores como seres humanos?

Já influenciada por todos estes aspectos e n mais, vamos ao desfile:

A poética de Ronaldo Fraga não é linear, não consigo dividir o styling do desfile em blocos ou camadas didáticas, assim como seu processo de criação que propõe diversos cruzamentos conceituais é a apresentação do espetáculo, composta: pela discussão entre o bonito e o feio, pelo questionamento dos nossos reais valores, pela sensação de abandono e desamparo, pela peça teatral “Tudo é risco de giz” de Álvaro Apocalypse.

Neste espetáculo, as diversas texturas se entrelaçam sem hierarquia: a pele da criança encontra com a pele envelhecida; as lãs com as sedas; as rígidas bolsas-lousa com as estruturas orgânicas dos vestidos, o risco com o rabisco.

As crianças que entram pulando e às vezes intimidadas tiram sorrisos suaves da platéia, enquanto os senhores e senhoras arrancam aplausos enlouquecidos. Cris e eu comentamos: alguns jornalistas vão se irritar com tantos aplausos. Público e personagens de Fraga já respiram juntos encantados quando…

Da trilha-sonora suave e lúdica, surge a doce criança Michael Jackson em seus tempos de Jackson Five cantando Happy. “É o jovem mais velho…” Cris, sussurra ao meu ouvido. Recordo da entrevista com Ronaldo, mais precisamente da pergunta sobre nossos valores, e um turbilhão de questões sócio-culturais sobrevoam minha cabeça…sou atravessada pelo styling; não consigo mais segurar minha tensão, as lágrimas rolam para chão.

O desfile continua, e docemente o piano e ruídos das portas que se abrem nos envolvem, ouvimos o poema: rato que eu não sou assim de fino trato… Ao termino nos perguntamos o que nos faz bem, felizes? Quantas e quais portas a moda de Ronaldo nos abre. Quais contratos queremos selar para nossas vidas?

Assim peço a eles e suas equipes que continuem maravilhosos…

O público formado por jornalistas (às vezes blasé), representantes da marca e apenas alguns amigos (o evento é um espaço de trabalho, relembro, muito trabalho) não resistiu as histórias destes grandes criadores, e aos prantos fomos dar-lhes os parabéns nos bastidores.

Aos criadores: Felicidades, e mais uma vez, Obrigada por dividirem corajosamente suas emoções conosco, nos atravessar e esburacar nossas almas.

Aos leitores: Muito Obrigada!

Mariana Rachel Roncoletta
blog.anhembi.br

publicado originalmente em 26/01/2009.

maria garcia inv9 2

Ao som de Maria Garcia

O desfile de Maria Garcia por Camila Cutolo foi divertido e leve, para jovens tímidas. Inspirado no som do Smiths e Morrisey, sem pretensões estéticas entre Oscar Wilde e James Dean.

As cores eram crú, preto, tons de cinza, pontuadas pore rosê, laranja intrigante, verde escuro e azul brilhante. A edição dos looks contrastava com a textura dos tecidos: renda e tricot; couro fake e pêlo; lã com seda. Destaque para a renda sobreposta às camisetas, de uma maneira despojada.

Nos acessórios, os cordões de lã fazem as vezes dos colares de pérolas.

Moda Brasil + Design aposta… Na nova maneira de usar as tradicionais rendas.

Mariana Rachel Roncoletta e Tauane Modes
blog.anhembi.br

Publicado originalmente em 20/01/2009

Roncoletta altura de bico2

Check-list de calçados – altura de bico

A altura do bico (elevação da biqueira) deve ser de aproximadamente 1 cm do chão. Essa detalhe que pouquíssimas pessoas olham pode lhe provocar muita dor nos pés e inclusive na coluna.

Não vá se fantasiar por ai, usando calçados do Aladim!

Mariana Rachel Roncoletta

Fonte: Roncoletta (2009) adaptado do site SBRT (s/d)

Publicado originalmente em 03/06/2009.

mercadal

Check-list de calçados: modelos de bico

Este é o quinto post da série Check-list de calçados, agora vamos falar de modelos de bicos. São o formato que possuem o sapato bico, também conhecido como biqueira do design de calçados. Existe uma variável imensa, falarei das básicas, até, porque, as demais variam destas: redonda, quadrada e fina.

Procure por bicos quadrados ou redondos, certifique-se que os mesmos continuaram arredondados durante a marcha, isto é, quando você estiver caminhando, na parte do passo que seus dedos carregam o peso do corpo, os sapatos devem continuar com o bico arredondado – eles jamais podem comprimir seus dedos.

Faça o seguinte teste: Vista o sapato e olhe de frente para um espelho, de o passo e observe se o sapato afunila quando você está com o peso do corpo nos dedos. Se isso acontecer, o formato novo é um V. Ah…ficou na duvida, tire a prova de fogo:

Pegue o sapato em suas mãos e olhe de frente para o espelho. Simule a mesma passada e observe atentamente, se o sapato não mantém o formato do bico, você verá que sua forma original se modificou. Deixe-o na loja.

Agora, se você ama bicos finos, não tenha medo de exagerar. Invista nos super bicudos!

 

Mariana Rachel Roncoletta

Publicado originalmente em 03/06/2009.

encaixe  calcados mariana roncoletta

Check-list de calçados – encaixe

Varias pessoas não conseguem distinguir se o calçado está apertado ou não. Existe espaço suficiente para os seus dedos quando você caminha? A sensação ideal é sentir uma leve pressão na lateral nos dedos dos pés. O calçado firme é aquele que não aperta os dedos e, simultaneamente, não deixa espaço entre o calcanhar e o cabedal traseiro quando você se impulsiona pelo triângulo de propulsão dos pés – parte da planta dos pés que suportam os dedos, conforme central.

Outra dica é escolher por estilos de calçados que possuem diferentes tiras de ajustes no tornozelo e até mesmo no cabedal frontal, ou seja, no peito do pé, podem auxiliar na sensação de segurança relacionada ao design de calçados.

A última dica sobre encaixe é a aquisição de calçados por você apenas após algumas horas desperto e depois de leves caminhadas, visto que o corpo e, principalmente os pés, já terão inchado.

Mariana Rachel Roncoletta

Publicado originalmente em 30/05/2009.

REGINA BARBOSAgarçonne3

Check-list: adoráveis modelos de salto

Evite saltos finos, tipo stiletto, mas, se assim o desejar, verifique se ele dá equilíbrio ao seu corpo. O salto fino baixo também desequilibra: ande um pouco e verifique se você não vira o pé.

Prefira saltos grossos, costumam ser mais estáveis, afinal, a área de contato com o chão é maior do que a de um salto fino.

Ao escolher anabelas, verifique se ela permite que você faça o movimento natural do caminhar.

Plataformas, normalmente, impedem o caminhar natural e ainda podem fazer com que você torça facilmente os pés.

Enfim, quem sou eu para dizer qual modelo de salto você deve usar? Use-o os quais te agradam mais, você é livre para fazer suas próprias escolhas. Sinto que, devo alertá-la sobre os modelos de salto, para que quando você escolher usá-los, pense e use-os com cautela, ok!

 

Até o próximo post

Mariana Rachel Roncoletta

Ilustração: Regina Barbosa

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Check-list de calçados: equilíbrio

Sabe aquela sensação de torcer o pé? Então, o equilíbrio é fundamental para se sentir segura ao usar qualquer estilo de calçados. Essa percepção relaciona-se a dois critérios: preenchimento da sola do salto ao chão e prolongamento do eixo de equilíbrio do corpo

1. Preenchimento da sola do salto ao chão:

Os saltos devem encostar totalmente no chão – independentemente da altura do salto, a imagem mostra um scarpin já adaptado para pessoas com dismetria de membros inferiores.

2. Prolongamento do eixo de equilíbrio do corpo:

O eixo de equilíbrio do corpo entre quadril, joelho e tornozelo deve se prolongar pelo sapato. Se o salto encosta parcialmente, provavelmente alterará o eixo natural do seu corpo, desequilibrando você, provocando a sensação que seus pés viram ou para dentro ou para fora.

Mariana Rachel Roncoletta

Publicado originalmente em 30/05/2009.

 

jacobs

Check-list de calçados: altura

Os saltos, principalmente os altos (mais de 6 cm), são para maioria das mulheres (e homens) um objeto que proporciona sedução e poder. A maioria das imagens, seja em filmes de Hollywood ou novelas brasileiras ou ainda em editoriais de moda mostram as mulheres “glamourosas” se equilibrando nas alturas do salto alto, alto não, altíssimo. Temos que assumir nossa parcela de culpa em impulsionar o desejo das mulheres por saltos.

O que quero dizer é: podemos sim, ser poderosas e glamourosas sem o salto altíssimo. Será que você não se contentaria com um salto de 4 cm ? Esta altura já não lhe é suficiente? Questione as imposições da industria cultural, ok!!!!

Dito isto, farei vários posts sobre as considerações para adquirir calçados com saltos: altura, equilíbrio, modelo.

Altura de salto – o ideal é 2 cm, porque equilibra as pressões entre dedos e calcanhar, isso significa que as lindas rasterinhas podem causar dor nas costas

Para o dia todo de 2 a 4 cm, mantém as pressões sobre os pés mais equilibradas, existe uma tabela, que pode lhe auxiliar, principalmente em escolher calçados para o uso em ocasiões especiais.

Sem salto = 43% dedos e 57% calcanhar

Salto 2 cm = 50% dedos e 50% calcanhar

Salto 4 cm = 57% dedos e 43% calcanhar

Salto 6 cm = 75% dedos e 25% calcanhar

Salto 10 cm =  90 a 100% dedos e 0 a 10 % calcanhar

Saltos maiores que 4 cm são recomendados apenas em ocasiões especiais.

 

Mariana Rachel Roncoletta

Foto: Coleção Marc Jacobs, 2008

Publicado originalmente em 22/05/2009.